Sábado, 17 de Novembro de 2007

De carro a caminho do escritório, num dia solarengo de Outubro, guio de t-shirt e janelas abertas. Ligo ao Zé Diogo. Pergunto-lhe pela subida do Kilimanjaro em 1998. Ele fez a viagem nessa época...eu não...não tinha dinheiro. Tento convencê-lo a irmos de novo. Em 1996 tínhamos subido o Toubkal de bicicleta. Foi um percurso iniciático de 2 semanas...sem mudas de roupa e sem banho.

Ele tem um projecto diferente. Quer atravessar o Atlântico num barco a remos – admirável – mas eu estou mais interessado no Kilimanjaro e insisto. Ele diz-me que para ir, seria em breve, porque as “neves eternas” têm os dias contados.
Como assim? Pergunto.
Aquecimento global e tal – o conceito não me é estranho, mas o que é facto é que mais do que a experiência diária deste verão fora de época, nunca tinha ‘presenciado’ assim, de forma tão acessível, tão palpável o fenómeno do aquecimento global.
Tinha visto recentemente o filme “Uma Verdade Inconveniente” em que Al Gore apresentava gráficos inquietantes, mas confesso que alterei pouco ou nada os meus comportamentos depois do filme.
Nesse momento senti que, da mesma forma que para mim a extinção das neves do Kilimanjaro tinham um efeito de choque, também outras pessoas, pouco sensíveis aos gráficos, poderiam despertar para o problema caso fossem colocadas perante um facto tão visível.

Não creio que este raciocínio tivesse surgido durante o meu telefonema com o Zé Diogo, até porque lhe voltei a ligar, uns minutos depois com a ideia. Pensei que as neves do Kilimanjaro são uma imagem suficientemente forte, suficientemente próxima, para despertar a consciência de outros seres humanos como eu, que até agora, pouco ou nada fizeram para alterar os seus comportamentos, em função do aquecimento global.

São as imagens fortes que movem consciências, não são os monocromáticos gráficos.


À semelhança da imagem dos ursos polares presos uma plataforma de gelo a derreter, penso que a extinção das neves eternas podem também ser uma imagem impactante para todos.
A imagem dos ursos é controversa. Alguns jornalistas argumentam que não reflecte os efeitos do aquecimento global – o facto é que, verdadeira ou não, se tornou um ícone do problema e gerou o impacto desejável.

As neves do Kilimanjaro, trazidas pelo Hemingway ou pelo Discovery Channel, fazem parte da bagagem cultural de qualquer pessoa. E é por isso que são uma imagem tão forte!
São reconhecidas e familiares a todos, mas poucos devem saber que em 2015 deixarão de existir.
Mas não é com gráficos que conquistamos as consciências – é com comunicação e com imagens que qualquer pessoa pode testemunhar e compreender.

Foi com este conceito em mente que voltei a falar com o Zé Diogo.
- “E se espetássemos um poste, na neve, no Kilimanjaro. Um poste com umas marcas, para que as pessoas conseguissem testemunhar, ao vivo e a cores, o desaparecimento da neve?”
A ideia colheu!
Ficámos entusiasmados. Começámos a discutir pormenores ao telefone (era cedo para isso ainda, mas deixámo-nos levar pelo entusiasmo), sobre que tipo de material utilizar para o poste – algo que aguentasse as adversidades climatéricas, mas que fosse suficientemente leve, para o carregarmos, literalmente às costas, para o cume.
O Zé Diogo dá aulas de ski em várias estâncias, principalmente em Espanha –ele sabe que tipo de materiais resistem ao frio e ao vento.
Pensámos em várias alternativas – alumínio, PVC – ainda não chegámos a versão final.

A ideia de subirmos a montanha de bicicleta surgiu mais tarde.


publicado por José Maria Abecasis Soares às 12:52 | link do post | comentar

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